terça-feira, 26 de julho de 2011

Avicultura



A produção avícola brasileira passou por um processo de transformação nos últimos anos se destacando com uma avicultura competitiva no mercado.

            As mudanças de hábitos alimentares de uma significativa parcela da população, notadamente de maior poder aquisitivo, vem ampliando a procura por alimentos cuja origem seja uma produção mais natural.

            A “velha” galinha conhecida como “pé duro ou caipira” dos terreiros com potencial produtivo de apenas 50 a 80 ovos por ano existe em mais de 80% das propriedades rurais e tem contribuindo para melhorar a alimentação das famílias e muitas vezes auxiliando como parte da renda na economia familiar.

            O programa de seleção das aves para serem criadas em sistema caipira, procurou encontrar um ponto de equilíbrio entre o passado e o futuro e entre a rusticidade e a produtividade, apresentando aves com potencial de produção de 270 a 300 ovos ao ano e também aves especializadas para produção de carne com a vantagem da comercialização de um produto diferenciado com melhor remuneração por parte do mercado consumidor.

            No sistema de produção proposto a escolha do tipo da ave a ser criada é de fundamental importância, e para promover a máxima capacidade produtiva da ave, além de outros aspectos como nutrição, ambiência, sanidade e manejo.

Classificação das aves de acordo a sua função econômica:
- Para produção de ovos (poedeiras).
- Para produção de carne (corte).
- Dupla aptidão.

Tabela sobre consumo de ração para produção de carne – “ave tipo pesada”
 
Critério
Tipo de ração
Confinado 1º dia
até o abate
Comercial 3100 kcal
Livre 30º dia
até o abate
Caipira 2850 kcal
Idade (dias)
Peso Vivo (g)
Total de Ração kg
Idade (dias)
Peso Vivo (g)
Total de Ração kg
28
280
0,980
28
598
1,052
35
930
1,740
35
818
1,480
42
1180
2,350
42
1038
2,070
49
1445
3,110
49
1271
2,790
70
2210
5,750
70
1950
5,050
84
2485
6,760
84
2175
6,120
90
2730
8,160
90
2402
7,206
Fonte: Avifran

            Com investimentos relativamente baixos e instalações de fácil construção com simples técnica de manejo, a criação em sistema caipira tem se mostrado lucrativo, principalmente, para pequenos produtores, pois tem a vantagem da comercialização de um produto diferenciado com boa procura e melhor valor de comercialização.

            Esse sistema de criação é simples, as aves devem ter dietas mistas, compostas de ração balanceada, complementada com produtos da região e pasto de boa qualidade para que possa ser direcionada como alimentação suplementar, pois a alimentação convencional chega a representar hoje cerca de 89% dos custos de produção (planilha em anexo).

            As aves devem ser soltas durante o dia para que possam ciscar, tomar sol, com isto se exercitam, em fim terem uma vida natural e mais saudável.

            Para iniciar nesse sistema de criação é necessário procurar um profissional da área para que possa lhes orientar.

            Quando for planejar as instalações, elas devem oferecer: conforto ambiental, condições ideais de manejo, proteção contra predadores, cuidados estes que não devem ser ignorados sob pena de comprometer todo o projeto.

CHEGADA DOS PINTOS:
- antes do recebimento dos pintos, certificar-se que o galpão e os equipamentos estão limpos e em boas condições de funcionamento;
- abasteça com água com açúcar (50 gramas/litro de água) e ligue a fonte de calor antes de soltar os pintos no circulo;
- observar o comportamento dos pintos (vê ilustração);
- manter atualizado os registros na ficha de controle zootécnico (em anexo).

MANEJO BASICO:
            Mesmo sendo resistentes e geneticamente selecionadas para serem criadas em sistema semi-intensivo, estas aves têm como fundamental os bons cuidados principalmente no primeiro mês.
Adquirida as aves, é preciso respeitar uma rotina de trato que assegure seu crescimento rápido e saudável. Uma primeira recomendação é evitar o estresse das aves e adaptar a estrutura ao criatório a cada etapa de seu desenvolvimento. Tudo deve mudar gradativamente e o que nunca deve faltar é:
- limpeza do ambiente;
- temperatura adequada;
- disponibilidade de água limpa, fresca e de ração específica.

            Na chegada das aves com um dia, depois de soltá-las dia devem receber água com “açúcar” (50 gramas/litro de água) para hidratar e aumentar a sua energia e a partir daí colocar a ração.
Para uma boa criação, é fundamental selecionar os pintos que estão sendo incorporados ao plantel como:
- peso de 40 a 45 g. O mínimo aceitável é 35 g. independente da linhagem ou raça;
- pluma sedosa e seca;
- olhos vivos;
- tamanho e cor uniformes;
- pele dos pés brilhante, nunca seca ou rachada;
- sem defeitos, com pés tortos, bicos cruzados, aspecto apático.

            Nos primeiros dias, o principal inimigo da criação capaz de exterminá-la é a falta ou excesso de calor. As aves ainda não desenvolveram a capacidade de controlar a temperatura do seu corpo, por isso ficam inteiramente sujeitas às variações externas. Um pintinho nasce com 39,8ºC e cabe ao criador atenuar as diferenças entre as temperaturas do corpo e a do meio ambiente. Essa medida se faz com campânulas elétricas ou a gás, indicados para lotes de até 500 pintinhos. Tome como referência à fonte de calor e calcule no chão um raio de 1,20 m para erguer um círculo de retenção das aves que pode ser feito com folha de compensado (tipo eucatex) e deve ter uma altura de aproximadamente 0,60 m.

            O comportamento da ninhada dirá se a temperatura dentro do círculo está ou não adequada. Pintinhos amontoados junto à lâmpada e piando indica calor insuficiente. Ao contrário, se permanecerem distante da campânula, mas piando, há excesso. Bom sinal é vê-los regularmente distribuídos, em silêncio, alimentando-se normalmente.
                                    
            Por volta do 14º dia a penugem cai e surgem as penas que constituem um bom isolante térmico. O círculo de proteção não é mais necessário. Dependendo da época do ano, a campânula também poderá ser desativada – primeiro durante o dia, depois à noite.

            A alimentação nessa primeira fase muda também gradativamente, tudo em função da idade e do tipo da ave a ser criada. Ela pode decidir a falência ou a rentabilidade do negocio. A Alimentação Convencional representa cerca de 89% dos custos variáveis com a avicultura; é simplesmente insuportável para o pequeno criador. Como contornar? Existem algumas possibilidades!

            Produzir a própria ração – essa alternativa só é válida para criações acima de 500 cabeças, e antes de tudo é necessário que se faça “muita conta” para avaliar se é ou não viável.

MANEJO DAS AVES PARA PRODUÇÃO DE OVOS.

            Para iniciar a criação de aves para produção de ovos, o produtor deve escolher com que tipo de ave ele vai trabalhar em seu aviário, associada à preferência do mercado consumidor. Essa ave deve ter: baixa mortalidade, resistência a doenças, baixa relação entre consumo de ração e postura de ovos, além de uma capacidade para postura acima de 240 ovos/ano com boa capacidade de pigmentação da gema.

            A fase inicial ou fase de cria é a mais sensível da criação, vai desde o primeiro dia até a 6ª (sexta) semana de vida.

            A fase de recria vai da 7ª até a 18ª semana é onde ocorre um grande crescimento das aves sendo determinante para a qualidade da futura poedeira.

Fase de pré-postura vai da 19ª até a 23ª semana.
Fase de postura vai da 24ª até a 70ª semana, quando devem ser descartadas.
 
Tabela: O ciclo de produção de ovos:
IDADE (EM SEMANAS)
PRODUÇÃO DE OVOS
De 17ª A 18ª
5 A 10%
De 19ª a 20ª
50%
De 28ª a 30ª
Mais de 90%
De 45ª a 70ª
Ocorre decréscimo na produção
Acima de 70ª
Descarte.

Critérios para seleção de poedeiras produtivas
Galinha em produção apresenta:
- crista e barbelas grandes de aspecto sedoso e coloração vermelha.
- cloaca oval e alargada e úmida.
- distância entre ossos da pelve de 3 a 4 dedos.
- abdômen macio.

Galinha fora de produção apresenta:
- crista e barbelas pequenas, secas e escurecidas.
- cloaca estreita, circular, pálida e seca.
- distância entre os ossos da pelve de apenas 2 dedos.
- abdômen duro e pequeno.

            A presença dos galos é muito importante, apesar de comerem mais que as galinhas e não botarem ovo, pois as galinhas se comportam mais tranqüilas, “ficam mais felizes” e isso tem importância fundamental também no aspecto sanitário, visto que o estresse é reconhecidamente um fator predisponente para doenças que acabam causando grandes prejuízos na avicultura.

            Manejo Alimentar – a parte nutricional é um dos fatores que mais interferem no resultado produtivo do lote.

            Todo o programa alimentar de aves está baseado na função, idade e peso dos animais, assim deve-se fornecer uma ração especifica para cada período de desenvolvimento das aves. O aproveitamento de restos de horta e cascas de frutas na alimentação das “galinhas” criadas em sistema caipira é recomendável, desde que esses restos sejam oferecidos como complementação à ração balanceada e não como dieta principal das aves.

Tabela: Relaciona a função econômica, idade e tipo de ração que deve ser fornecida as aves:
Alimentação Por Idade   
Tipo de Ração
A) Aves para corte

1 a 30 dias
Ração Inicial
31 a 42 dias        
Ração de crescimento engorda.
43 ao abate            
Ração de acabamento.
B) Aves para postura

1 a 10 semanas
Ração para pintinhas.
11 a 18 semanas
Ração para frangas.
Mais de 19 semanas
Ração para postura.
Revista: Escala Rural – Ano III- Nº 18

            A alimentação vegetal pode suprir cerca de 25% das exigências nutricionais das aves. Os vegetais crescem recebendo a energia do sol, e estão repletos de caroteno, vitaminas, minerais e força vital. As ingestões de gramíneas, leguminosas e outras fontes vegetais fornecem vitaminas e minerais as aves, coferindo-lhes resistência às doenças e modificando a qualidade de seus ovos tornando suas gemas mais vermelhas e ricas em vitamina A e com melhor valor comercial.

Coleta e classificação dos ovos:
            Os ninhos devem ser usados exclusivamente na fase adulta das aves em postura, são muito importantes para garantir ovos de boa qualidade, mais limpos e com menor riscos de contaminação. Eles devem ser mais altos que o piso, com aproximadamente 40 centímetros de largura, 30 de altura e 30 de profundidade, com uma boa “cama” sedo suficiente para abrigar de quatro a cinco galinhas.

            Os ninhos têm a função de proporcionar um local macio e aconchegante para a postura dos ovos. Cerca de 60 a 70% da postura é realizada pela manhã. Existe a necessidade de realizar a maior parte da coleta dos ovos neste período, para que eles não fiquem acumulados nos ninhos e possam quebrar ou trincar. Durante a coleta, é aconselhável que os ovos sejam colocados em bandejas plásticas ou de papelão com a extremidade mais fina voltada para baixo, pois a utilização de baldes ou cestas, ocasionam um alto índice de ovos trincados e quebrados, apesar da casca do tipo caipira ser mais resistente. Após a coleta, os ovos devem seguir para a sala de classificação, onde serão limpos a seco com uso de uma esponja. Por se tratar de um produto perecível, deve-se observar o período de consumo do ovo, que gira em torno de 15 a 25 dias.

Sanidade – O melhor remédio é a prevenção e o criador deve saber que aves bem alimentadas e com bom manejo são mais resistentes.

            A prevenção das doenças é de grande importância na manutenção da saúde das aves, que consiste em um conjunto de praticas que envolvem higiene, profilaxia e combate sistemático a endo e ectoparasitas, para isso procure o méd. veterinário na sua região para indicar o melhor calendário destas, em função da realidade epidemiológica onde está localizada a sua criação. As vacinas são estritamente necessárias para garantir a saúde das aves.

            A verminose, também se constitui num sério problema nas criações mal orientadas.
As aves são também atacadas por ectoparasitos que lhes ataca a plumagem ou roubando-lhes o sangue e veiculando as doenças.

            No sistema semi-intensivo, o ambiente deve ser menos estressante que numa granja convencional, pois as aves interagem com as forças da natureza, que as torna mais saudáveis.

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